Colocar um instrumento em 4/4 e outro em 6/8

• jan 16, 2012 - 00:14

Estou tentando escrever para duas vozes com a primeira em 4/4 e a segunda em 6/8. Mas sempre que altero a fórmula do compasso em uma das vozes as duas ficam iguais. Alguém poderia me ajudar?


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Olá, me desculpe, mas achei interessante a sua pergunta, tenho sete anos de estudo da música, na teoria básica, e noção básica de violino, estou querendo me aprofundar nas noções de composição, mas, pelo pouco conhecimento que tenho de noções de composição, o básico do básico, aquilo que eu preciso para ler uma partitura, ainda não tenho visto uma situação como esta, nem tenho estudado que isso seja possível, acredito que não, como poderia dois tocando ao mesmo tempo em compassos diferentes? o que eu sei que é possível sim é, alternar de variados compassos, no decorrer da música, mas sempre para a mesma vós ou (mesmas vozes ao mesmo tempo, mas com os mesmos compassos), mas é como eu disse, apenas acho que não seja possível, não tenho certeza, não tenho um conhecimento mais aprofundado sobre isso, se você quiser minha ajuda, posso consultar melhor meus livros de pesquisa, e te dar mais clareza, se você ja viu essa situação em algum lugar, por favor, me fale a onde!!....

In reply to by Daniel de Albu…

Oi, Daniel,

Rapaz, eu não estudo erudito, embora aprecie bastante. Por isso, não sei se posso dizer de um ponto de vista teórico como funciona isso. Posso dizer que conheço essa situação da simultaneidade de dois compassos diferentes, típica na linguagem de percussão africana, como "poliritmia" (que parece ter surgido em analogia ao conceito de "polifonia"). Não é uma coisa tão difícil de encontrar. Toco em uma orquestra de percussão afro-brasileira que utiliza esta sobreposição de compassos em alguns arranjos. A lógica é mais ou menos a das séries numéricas em matemática.
Por exemplo, no maracatu (ritmo pernambucano) os tambores mais graves executam frases em 4/4 enquanto o xequerê ou abê (espécie de chocalho de cabaça) sobrepõe a elas uma célula rítmica constante em 6/8.
Esta complementaridade funciona bem por se tratar de instrumentos com sonoridades muito diferentes haver um casamento viável entre as frases em 4/4 e 6/8. A mesma viabilidade não ocorre sobrepondo-se uma frase em 6/8 a outra em 7/8. Dependendo do caso, pode ser possível escrever tudo no mesmo compasso com quiálteras. Mas isso também pode criar complicações, depende muito... Eu, particularmente, gosto de experimentar coisas inusitadas para testar os limites, como Dave Brubeck e Hermeto Pascoal.
Acho natural que você não tenha estudado ritmo mais a fundo, porque há mais espaço para a tradição musical européia que para as demais nas universidades e conservatórios. Até por conta das nossas instituições herdarem um modelo bastante francês em música. Por exemplo, no leste europeu existem umas tradições muito diferentes de violino, boa parte delas presentes na cultura cigana. O Bartók utilizava bastante essas sonoridades. Mas, apesar de se estudar as obras dele, quase não se estuda a tradição popular na qual ele se inspirava. O mesmo acontece com Villa-Lobos...
Essa crença evolucionista na superioridade da cultura das "nações civilizadas" ainda é muito forte e continua a dividir as classes sociais até dentro da arte, um espaço que permite nos percebermos não como seres iguais, mas análogos.

Valeu, um abraço!

PS: Como o banco de sons de percusssão do Musescore é meio xumbrega, agora fiquei pensando: será que o programa é feito mais para o pessoal de harmonia e não tem um mecanismo para escrever com poliritmia?

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